29 DE OUT DE 2026
Saúde & AutonomiaO que é a realidade para a medicina? Tecnologia, afeto e o Modelo Biopsicossocial
Tempo de leitura estimado: 5 min
Uma perspectiva que se vive de forma dinâmica, através da empatia, da interatividade e da conectividade do mundo da segunda década do século XXI, é frequentemente observada como um avanço tecnológico. No entanto, pode parecer um paradoxo quando tratamos a tecnologia como realidade.
Mas o que é a realidade?
É possível resumir essa pergunta — bastante debatida ao longo do histórico humano — por dois aspectos principais: pela objetividade, em que a realidade é o universo físico externo, aquilo que está fora de nós; e pela subjetividade, na qual a realidade é a experiência consciente que cada um possui desse universo através da sua própria perspectiva.
Na mudança de perspectiva do meu olhar e ao captar a subjetividade do outro na elaboração dos seus afetos, eu crio a empatia. Crio a interatividade com o seu ser biopsicossocial — conceito baseado no modelo de Engel, que resulta da interação de subsistemas biológicos, psicológicos e sociais em múltiplos níveis.
Quem foi Engel e o que é o Modelo Biopsicossocial?
George L. Engel foi um internista e psicanalista norte-americano que propôs o Modelo Biopsicossocial em 1977, no histórico artigo "The Need for a New Medical Model: A Challenge for Biomedicine", publicado na revista Science. Engel é o grande expoente da teoria holística (hoje compreendida como sistêmica).
A base do Modelo Biopsicossocial proposta por Engel refere-se à interação contínua desses sistemas (biológico, psicológico e social). Atualmente, de forma dinâmica, essa teoria recebe contribuições que relacionam tais sistemas com a maneira como regulamos — ou desregulamos — a nossa saúde, levando ao adoecimento ou à perda da qualidade de vida.
A realidade, a regulação e o vínculo terapêutico
Então, a realidade e a forma como a vivenciamos nos afetam em um sistema dinâmico que contribui para a regulação ou desregulação da nossa saúde e para o vínculo com o tratamento?
A resposta curta: sim.
A resposta da AmarElo, do Maurício, é mais elaborada.
Primeiro, um sistema precisa estar em um nível de consciência sem rebaixamentos, sem sofrer intoxicação, falta grave de oxigênio (hipóxia), infecção grave ou privação extrema de sono no momento do estabelecimento do vínculo terapêutico. Caso situações como essas sejam o motivo do atendimento, o mais importante é buscar imediatamente uma unidade de pronto atendimento.
O que nos leva ao segundo e último ponto: nem tudo é diagnóstico. Assim como devemos separar o que é emergência e pronto atendimento do que é a construção de um vínculo terapêutico, a ideia de autonomia e autocuidado passa diretamente pelo que não é doença, distúrbio ou algo que precise ser tratado.
Sentir tristeza, preocupação, cansaço, raiva, inquietação, amor e medo são sentimentos e sensações normais, a depender do acontecimento que o fez reagir, sentir e experienciar esse afeto.
Portanto, se a sua afetividade vem de uma atividade mental que observa a realidade, e os seus sentimentos e sensações se apresentam com intensidades que afetam a maneira como você deseja viver, eu, como médico, saio da minha perspectiva para ser empático à sua. É através desse vínculo que trabalhamos juntos no seu autocuidado e na sua autonomia.